Minha Historia 2017-11-08T15:49:29+00:00

Nasci em 14 de maio de 1940. Anos difíceis. A Segunda Guerra Mundial massacrava o povo europeu. No Brasil, que ainda naquele ano se mantinha neutro no conflito, atravessava a ditadura de Vargas aos tropeços. A área rural, de onde brotei para a vida, penava mais ainda. Tudo era muito difícil. Tudo era muito caro. Tudo era muito distante. Nada era suficiente: estradas, transportes, comunicações. Além disso, a TV era algo desconhecido no país. Somente as ondas de rádio chegavam aos rincões do Brasil. Nas Regiões do Rio Doce e do Jequitinhonha a situação não era diferente.

Não sofri os horrores da guerra, tão distante de minha querida Sabinópolis, cidade mineira onde nasci.

A rigor, até, não tinha na minha infância e adolescência a consciência dos perigos da vida. Sabia, apenas, que eu era o Zeca, apelido carinhoso que cunhou minha existência. Ainda hoje, em momentos reflexivos, pego-me pensando que continuo a ser aquele Zeca, que vários conterrâneos conheceram, que tem pelo ser humano o mesmo tratamento de respeito e de consideração. Não pelo que cada um tem, mas pelo que cada um é.

Sofria, em minha infância, uma guerra pessoal e profundamente dolorida: a de caminhar para a vida sem a presença de minha mãe. Essa guerra pessoal fez com que o Zeca, despertasse em mim a consciência do mundo no dia a dia de minha história: nasci, me eduquei e me forjei sob uma trilogia que imprimiu em meu ser o caráter moral que sempre conduziu os atos por mim praticados: amor, disciplina e persistência.

Meu pai, Osvaldo Magela Mourão, foi o exemplo maior de amor que conheci. Esse conceito, de educar pelo exemplo de vida e, pelo mesmo exemplo, manifestar seu amor pelos filhos, fez-me superar a carência de minha mãe. Carência revestida por uma saudade estranha porque sentia falta de alguém que não conhecera mas que, intimamente, sabia ter sido muito amado por ela.

Saudade estranha, inexplicável e por demais doída, porque Deus a chamou para junto de si quando eu contava com apenas três anos de vida. Não tenho uma réstia de lembrança dela. Nada.

Minha mãe, Leodita Barroso Mourão, faleceu aos 27 anos, deixando cinco filhos, entre eles eu, seu quarto filho. E, se não pude curtir o afeto materno, sobrou em minha infância o amor de meu pai desmensuradamente destinado a fazer de todos nós, filhos de seu primeiro casamento, pessoas de bom caráter. Pessoas sem rancor para com a vida.

Assumindo a responsabilidade de criar seus cinco filhos, meu pai se desdobrou. Encontrava horas para cuidar de todos os afazeres domésticos, fazer sua fazenda produzir o sustento para a família e se postar diante da vida como um realizador primoroso. O empreendedorismo que lhe era natural foi o responsável por permitir a todos nós uma vida boa. Sem luxo, sem ostentação, sem humilhar os conterrâneos mais desafortunados. Uma vida onde os valores cristãos foram incutidos em cada um de seus filhos.

Seu maior primor, porém, foi educar-nos sob uma disciplina amorosa. Encontrou em Dona Altina,  mulher forte que preconizou as mulheres do Antigo Testamento da cultura judaica, a competência para assumir o dever de cuidar de nossa casa. Era ela quem nos protegia dos rigores paternos e soube despertar e o guardar em cada um de nós, os filhos da Leodita, o respeito à lembrança de nossa mãe. Foi graças à Dona Altina que pude criar a imagem de minha mãe: encontrava-se no céu protegendo-nos de todo mal. Conservo da querida Altina o afeto que dela recebi e a ela dedico o respeito carinhoso e agradecido com que tratamos nossos entes queridos. Que Deus dê a ela o descanso eterno.

                      Dona Cenita

Oito anos após a morte de minha mãe, meu pai se casa novamente.

Dona Maximina Soares Barroso Mourão, a mui amada Cenita, prima de minha mãe, preenche o vazio de nossa casa e a todos nós nos presenteia com mais cinco irmãos. Aos onze anos passei a ter duas mães. Altina e Cenita. Criaram a todos nós com um carinho desmensurado. Afeto transbordante para com os filhos de Leodita e com muita justiça para com todos nós. Meu pai, o herói de minha vida, continuou a cuidar da educação dos filhos com a mesma disciplina amorosa.

Guardo de meu pai inúmeros exemplos de vida. Marcaram-me a maneira toda peculiar com que nos educou. Ouso confessar dois desses exemplos.

O primeiro. Nossa fazenda distava 7 km da sede do Município de Sabinópolis. Aos sete anos, sozinho, só acompanhado da graça de Deus, às seis horas da manhã, montava em meu cavalo e cumpria os sete quilômetros para aprender as letras iniciais com Dona Elza de Pinho Tavares. Professora severa. Rígida e muito exigente. Por três minutos de atraso para a aula que se iniciava às 7 horas, fazia-me voltar para casa, sem poder participar dos ensinamentos do dia. Não importava o motivo do atraso. Cabeça baixa, fazia de volta os sete quilômetros que me separavam da repreensão de meu pai. Às vezes, a repreensão vinha de forma dura para aprender que “… há horário a se cumprir. Que há responsabilidade a ser respeitada”.

Posteriormente, em anos subsequentes, a Professora Dona Maria dos Anjos era o protótipo de seu nome. Era anjo mesmo. A rigidez se transformara em pedagogia do afeto. Em nenhum momento me  fez retornar porque me atrasara alguns minutos. Cavuco a memória e não me lembro de haver sido privado de aulas daquela mestra querida. Essa rotina, acordar de madrugada, cumprir uma jornada de quatorze quilômetros diários com sol, frio ou com chuva, e retornar em casa para o almoço, perdurou por quatro anos até que fossem concluídas as séries do chamado grupo escolar.

Sabinópolis sempre se pautou por uma característica que a diferenciou de vários municípios de seu porte. Os pais, com dificuldades enormes, dedicavam especial empenho para a formação de seus filhos. E, para tanto, tinham que encaminhar seus pupilos para o internato em cidades maiores.

Esse diferencial foi de tal forma marcante junto à formação da vida escolar da comunidade, que três sabinopolenses de uma mesma geração, cujos pais se empenharam para que seus filhos concluíssem os estudos, foram eleitos prefeitos em três grandes municípios de Minas para o mandato de 1997 a 2000: em Itabira, Jackson Alberto de Pinho Tavares; em Pouso Alegre, Jair Siqueira Soares, e eu, em Governador Valadares. Isso sem falar em inúmeros outros conterrâneos que se destacaram nos mais variados ramos do conhecimento humano graças à ação desses homens simples da terra, mas visionários de um tempo novo. Minha geração inteira deve à visão de seus pais o descortinar para a formação da vida.

Constitui o segundo exemplo de vida dado por meu pai, o empenho para que eu continuasse meus estudos.

Para que eu fizesse as quatro séries do então chamado Curso Ginasial, fui matriculado como estudante interno em Diamantina, onde fiz apenas a primeira série. Não voltei para a continuidade dos estudos por um acidente de percurso.

O ano de 1954 rompia com as incertezas naturais de um ano eleitoral. A população iria escolher o sucessor de meu pai na prefeitura. Em meados de janeiro, sou vítima de uma crise de apendicite aguda em Sabinópolis e não pude retornar a Diamantina.

  Prefeito Osvaldo Magela Mourão

Sou levado, então, até ao Dr. José Monteiro, irmão do Deputado Jairo Monteiro Magalhães. Dr. José Monteiro avisa a meu pai ser necessário procedimento cirúrgico, mas que ele não entrava no Hospital da cidade porque era adversário político do diretor, Dr. Joaquim.

A política, naquela época, era assim. A fidelidade aos companheiros era ponto de honra. Meu pai preleciona: “Meu filho está entregue ao Senhor, doutor. O Senhor faça o que achar melhor”. E fui operado, sob efeito de anestesia local, no consultório do médico, tendo meu pai por testemunha do procedimento. Eu também vi boa parte do que era feito pelo corajoso médico. De jipe, sacolejando fui levado ao consultório para a cirurgia e voltei carregado na cama para o período pós-operatório. Adeus, Diamantina.

Sou matriculado no Ginásio Municipal de minha cidade, recém-inaugurado, contando somente com duas turmas. A de primeiro ano e a do segundo ginasial, onde me instalei. Foi um período muito interessante. Acostumado com o rigor do internato em Diamantina, tive outra vida no ginásio de Sabinópolis. A criança peralta, fez com que o Zeca, nada estudasse e fosse reprovado.

 

           Escola Municipal Sabino Barroso

De nada me valeu ser filho de prefeito. Só passava quem sabia. A “bomba” que estourou em meu colo nessa segunda série ginasial mudou os rumos de minha vida.

Julgando-me valente, comunico a meu pai que não queria mais estudar. Preferiria cuidar de fazenda.

Meu pai não se fez de rogado. Comunicou-me que no período de férias, testaria meus dons para o manejo rural. Assim, despediu o vaqueiro e passei, aos doze anos de idade, a ser o responsável pelas tarefas diárias da fazenda. Deitar cedo. Levantar às cinco da madrugada. Tirar o leite à mão e buscar o gado no pasto, debulhar milho, tratar dos outros animais, notadamente dos porcos. Minhas férias se resumiram ao trabalho. E nada podia fazer, pois a escolha havia sido minha.

Terminando o período de férias, meu pai volta à carga e indaga: “… você quer continuar na fazenda ou prefere estudar? Você viu na prática. Fazenda é isso aí que você fez nessas férias”.

Meio sem graça, confirmo que desejo voltar aos estudos. Aí recebo a notícia: “Meu filho, você já está matriculado no Colégio Arquidiocesano de Ouro Preto. Pode ir preparando as malas”.

Começava a transformação do Zeca peralta para o Zeca amante dos livros, estudante aplicado e sonhador com a conquista de novos mundos.

Esse o velho e saudoso Osvaldo Mourão. Viu em mim a capacidade laborativa para o estudo. Para as letras. Para alçar voos e conquistar novos ares que não atingiria como fazendeiro. Mostrou-me de forma clara que a gente só consegue as coisas pelo trabalho e pelo esforço pessoal. E assim agiu com todos nós, seus dez filhos.

Esses exemplos de amor, disciplina e persistência marcaram minha vida.

“Seu sono pode durar a noite inteira, mas Ele os acordará pelo amanhecer”, Gilberto e Maria Nilma, já nasceram, com Cristo, para a plenitude da vida, importa é como aproveitamos o tempo que estamos juntos.

            Colégio Arquidiocesano de Ouro Preto

O Colégio Arquidiocesano de Ouro Preto, fundado em 1927, em Mariana, foi transferido para a primeira capital de Minas em 1933. Mantido pela então Sociedade Liceu Ouro Preto, formou gerações inteiras de estudantes que engradecem a história político-social do país. Era um dos melhores estabelecimentos de ensino de minha geração.

Sob a direção do Cônego José da Rocha Filgueiras, o Arquidiocesano fundamentou sua pedagogia sob o princípio do Deo Duce Coadjuvante Domina e Colle Illuminans, “Conduzido por Deus, Nossa Senhora ajudando, iluminando do alto da colina”, plasmou minha vida de forma indelével. Foram três anos de muito estudo. De muito aprendizado. De formação humanista solidificada nos princípios cristãos. Lembro-me, muito, de um saudoso professor de português, o Padre José Pedro Mendes Barros, que dirigia o Grêmio Literário Tristão de Ataíde. Foi no Arquidiocesano que se descortinou o mundo novo que eu poderia construir se me esforçasse.

                                    Colégio Santo Antônio

E esse esforço possibilitou meu ingresso no Colégio Santo Antônio, em Belo Horizonte, onde cursei as três séries do antigo curso científico. No Santo Antônio,  tradicionalmente, a exigência acadêmica sempre foi muito forte e, a par disso, sua proposta educacional que vivenciei era a de construir uma formação a partir de princípios como a ética, a responsabilidade, a solidariedade, o respeito ao bem comum. Aprendemos os princípios políticos dos direitos e deveres de cidadania. O Santo Antônio nos ensinou a questionar a vida porque sua pedagogia é calcada na filosofia franciscana.

Essa sólida formação no ensino médio foi que me possibilitou passar no vestibular para o Curso de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais. Bebia com avidez dos ensinamentos de três mestres, em nome dos quais deixo expressos meu agradecimento e minha admiração ao corpo docente da Casa de Afonso Pena. Professor Lídio Machado Bandeira de Melo, um gigante no Direito Penal, Professor Paulo Neves de Carvalho, nosso mestre maior no Direito Administrativo; e o Professor Raul Machado Horta, constitucionalista de renome, foram, seguramente, os direcionadores de minha vida profissional.

Dediquei-me, com esforço redobrado, ao meu curso de direito. Percebi que escolhera a formação acadêmica que melhor se adequava à personalidade forjada pelos ensinamentos de minha família e nos bancos escolares. Tinha prazer em estudar as matérias de direito. Meus esforços foram vistos e recompensados. Ganhei, com meu colega Alfredo José de Campos Melo, um prêmio pela dedicação nos estudos. Fomos convidados pelo governo americano, que tudo custeou, para uma temporada nos Estados Unidos. Foram dias de muito aprendizado nas instituições públicas daquele país. Aprendi muito nessa viagem. Sempre achei se não foi meio sintomática essa escolha, embora calcada no desempenho escolar de cada um de nós. É que, tempos depois, nós dois entraríamos de corpo e alma na vida pública: Alfredo Campos se tornaria Senador da República e eu prefeito e deputado estadual.

Faculdade de Direito – UFMG

Premonitória, também, minha escolha dos ramos de direito que me apaixonaram como estudante. O Administrativo, o Constitucional e o Penal. Estudava essas matérias em suas minúcias. E, tempos depois, foi no direito penal que fundamentei meu exercício profissional na advocacia; o direito administrativo fundamentou boa parte de minhas ações em meus dois mandatos como prefeito e o direito constitucional deu-me a segurança necessária para debater e defender as causas de Minas como relator da Constituição Mineira de 1988.

Hoje tenho a consciência de que minha vida estudantil foi a responsável pela descoberta dos caminhos e conseguir neles transitar com a desenvoltura necessária para minha realização pessoal. Possibilitou-me, também, contribuir na construção da concórdia entre os povos. Foi ela que me fez criar o lema de minha conduta como homem público: o sentido da política é o ser humano.

                    Diploma bacharel em Direito em 1967

 

Diploma na mão. Cabeça cheia de ideais. Construir o futuro pelo esforço de meu trabalho. Era hora de deliberar em qual cidade exerceria minha profissão. Por em prática o que aprendi na Casa de Afonso Pena, a Escola de Direito da UFMG.

O rincão onde a gente nasce não é por nós escolhido. Escolhemos, contudo, onde viver. Mais do que isso: a gente escolhe onde vamos conviver. A opção por um local específico para fincarmos nossas raízes é, talvez, a decisão mais importante do ser humano. O local escolhido, passa a ser um território a ser conquistado, e aí o homem exerce a cidadania plena: conquistar o espaço onde desenvolverá seu potencial criativo. Passa a ser, também, o espaço de sua vivência emocional, e, nesse espaço emotivo, constrói sua personalidade afetiva: conquista, assim, a experiência vivencial de amar.

A escolha de Governador Valadares para fincar minhas raízes e meu coração obedeceu, hoje sei, esses princípios.

        Praça Serra Lima – Governador Valadares

A cidade de Governador Valadares contava nessa época, com uma população de aproximadamente cento e cinquenta mil habitantes. Meu irmão mais velho lá residia, onde era o responsável técnico pelo seu laboratório de análises clínicas. De minha parte, porém, só conhecia umas quinze pessoas. A conquista do território para o exercício de minha profissão foi, literalmente, um fato marcante. Montei escritório, que à época se chamava banca de advocacia, na cara e na coragem. Para pagar aluguel, percorri as escolas oferecendo-me como professor. Fui aceito em algumas delas para lecionar história geral aos alunos dos primeiros e segundos graus.

Necessitava, porém, ser conhecido como advogado. Adotei a estratégia de procurar os juízes da comarca e solicitar-lhes que eu fosse nomeado advogado dadivo para as pessoas sem condições de pagar pelos serviços de advocacia. Trabalhei muito nesse período, sem ganhar nada. O pagamento era ser conhecido. Nos inúmeros júris que participava, a tribuna passou a ser meu posto. Nas audiências e despachos com juízes e promotores, meu nome começou a ser reconhecido, pois os sólidos fundamentos de direito penal que me foram inculcados pelo Professor Lídio Machado Bandeira de Melo, quando de minha formação acadêmica, colocaram-me em posição de destaco no meio forense. Causas consideradas perdidas, começaram a ter desfechos favoráveis. Minha banca de advogado começou a crescer.

Passei a ser chamado para assessoria jurídica em empresas variadas e fui ser o advogado do 6º Batalhão de Polícia Militar sediado em Valadares. Posteriormente, assumi a cadeira de Direito Penal na Faculdade de Direito do Vale do Rio Doce. A conquista do território se deveu a meu esforço para que eu pudesse ser reconhecido pelos valadarenses. Esse reconhecimento se deu basicamente à disciplina que me foi imposta por meu pai. Zeca amadurecia a cada dia. Crescia no caminhar com suas próprias pernas.

Quando poderia imaginar que uma banca pequena, sustentada por aulas que eu preparava com muito denodo, viria a se transformar em um sólido escritório, acrescido por quatro outros colegas que a mim se associaram em meus vinte anos de exercício profissional da advocacia.

A conquista do território afetivo já se iniciara na minha querida Sabinópolis. Em Governador Valadares ela se consolidou.

Conheci uma garota e meu jovem coração se deixou assaltar pelo afeto. Vi que Sandra seria a “minha companheira de andanças pela vida inteira”. O enorme afeto que sentíamos mutuamente, transformou-se em um amor imorredouro nesses já 46 anos de casamento.

Governador Valadares deu-me a razão e a alegria de viver. Nessa cidade conquistei meus territórios.

Sandra e eu temos três filhos, Sérgio, Aline e Cristiane,  que nos encantam e nos dão uma enorme felicidade. Foram eles, também, que nos presentearam com netos maravilhosos e que me fazem renascer a cada dia. São cinco.

Permito-me, mostrar, como marido, pai e avô coruja um pouco desse meu tudo: minha mulher, meus filhos e meus netos.

    Momento registrado pelo Arthur, meu neto.

A vida pública. A construção da utopia

Comecei minha vida pública como candidato a vice-prefeito de Governador Valadares.

Forçado sou a reconhecer, que meu ingresso na campanha político-eleitoral não se deu de forma natural. Como dizem os jovens de hoje, foi uma entrada “meio que forçada”. Fácil explicar. Meu escritório de advocacia estava muito bem, conquistando clientes a cada dia. Minha família com filhos em fase de estudos e eu não tinha a menor experiência no corpo a corpo de pedir voto pessoal.

Sempre gostei muito de política. Desde a época de estudante, participava de comícios e defendia os ideais da União Democrática Nacional, a UDN. Cresci sob a luz dos ensinamentos cristãos e da defesa de uma sociedade fraterna, construída sob o pálio da justiça e do bem comum.

Minha geração foi muito influenciada pela obra de Thomas Morus, Utopia. Chamava a atenção nesse texto, além do espanto pela sua atualidade, pois mesmo tendo sido escrito no século 16, propunha a premência para que o ser humano construa um local onde o bem comum seja perene, uma sociedade justa e igualitária.

Peça fundamental para o chamado “socialismo utópico”, Thomas Morus deixou uma herança que ainda hoje persiste: o sonho do homem de construir um lugar onde exista uma sociedade perfeita.

Reconheço, também, que foi essa busca da utopia – cujo conceito hoje transmite a ideia de algo que ainda não se realizou, mas que, pelo esforço do grupo social poderá se concretizar – o que me fez cunhar o lema para minha conduta na vida pública: o sentido da política é o ser humano.

A insistência de meus amigos e a pressão do grupo político ligado ao Movimento Democrático Brasileiro, o MDB, ao qual me filiara desde minha chegada a Governador Valadares, e de cujos comícios era orador frequente, disputei o cargo de vice-prefeito na chapa de Ronaldo Perim. Eleitos que fomos, começou minha despedida do exercício da advocacia e o aprendizado para a vida pública. Comigo mesmo fiz um compromisso: não decepcionar minha família, meus amigos e os cidadãos que votaram em nossa chapa.

Como vice-prefeito aprendi a exercitar a humildade. Nosso sistema partidário para o preenchimento dos cargos da vida pública é muito personalista. Por mais que você queira lutar contra isso, os primeiros que não aceitam a mudança desse procedimento são seus leiais companheiros de jornada. Comecei a perceber que a política tem uma regra de ouro: privilegie seus ideais na defesa de seus eleitores. Você poderá até ser criticado, mas será respeitado como nunca. Até mesmo pelos que o criticam.

Dois anos como vice-prefeito fui chamado a disputar as eleições proporcionais para o cargo de deputado estadual. Naquela época, o cidadão poderia exercer as duas funções. É que, antes da Constituição de 1988, vice-prefeito não era cargo. Após a promulgação da Constituição Federal é que foi proibido esse acúmulo de funções, ou melhor, de cargos.

Obtive uma votação espetacular no Município de Governador Valadares e na região do Rio Doce. Fui para Belo Horizonte, em uma situação muito singular, cumprindo o aprendizado constante que o exercício de cargos públicos eletivos nos dá. Fui eleito vice-prefeito pelo PMDB, o mesmo partido pelo qual me elegi deputado.

Eleito, chego à Assembleia de Minas no partido da base de apoio do Governador eleito, Newton Cardoso, mas em cuja disputa eleitoral todo meu trabalho foi direcionado ao apoio à candidatura de Itamar Franco.

               Assembleia Legislativa de Minas Gerais

Com 41 deputados eleitos, em um colegiado de 77 nomes, o PMDB recebeu-me muito bem, mesmo com minha situação frente ao Governador. Aí aprendi outra lição: a política paroquial, sem que seus personagens queiram ou participem, sofre diretamente com as decisões do grupo político estadual que, por sua vez, se vê tutelado de forma tácita pelo grupo político nacional. Se no Poder Executivo Estadual minha ação estava limitada pelo meu apoio ao candidato contrário ao do governador eleito, no Poder Legislativo nada ocorreu que obstaculasse minhas ações.

Posse do primeiro mandato de deputado em 1987

Essa recepção possibilitou que eu, marinheiro de primeira viagem, fosse alçado à Presidência da Comissão de Fiscalização Financeira Orçamentária e graças ao trabalho nela desenvolvido, fui eleito pelos meus pares Relator da Quarta Constituição Mineira.

Tive a honra de suceder aos três relatores das constituições anteriores: Afonso Penna, Mílton Campos e Tancredo Neves.

Período rico da história de Minas, a 11ª legislatura (1987/1991) foi um dos marcos mais memoráveis na vida política de nosso Estado. A Assembleia funcionava, em dias determinados,  dentro dos ritos procedimentais da sessão legislativa. Às noites e em dias também determinados, se revestia do poder constituinte decorrente para apreciação dos temas que viriam a constituir a nossa Constituição Estadual.

Minas Gerais, a exemplo do Brasil, acordava da longa noite da ditadura militar. Tudo era motivo para que fossem restaurados os princípios democráticos que foram sufocados desde abril de 1964 e,  a partir de 1968, foram feridos de morte.

  Diploma Deputado Estadual, eleito com 38.852 votos em 1987

Das tensas reuniões da Assembleia Legislativa, reiniciávamos, todos os deputados, os trabalhos mais tensos ainda da Constituinte Mineira.

Confesso que nunca trabalhei tanto em minha vida.

Ao meu lado, e faço questão de ressaltar isso, a equipe técnica da Assembleia Mineira provou ser de uma competência e capacidade laborativa sem igual. Além disso, um ex-aluno aplicado da Casa de Afonso Pena, a querida Escola de Direito da UFMG, foi por mim convidado para ser assessor privilegiado de todo o trabalho. Eram 15 a 16 horas de faina diária. Equipe assim, é muito difícil de se conseguir reunir novamente. O trabalho de assessoria prestado pelo meu convidado foi de tal forma reconhecido que ele, galgando relevantes postos na administração pública estadual e federal, chegou à Governadoria do Estado e hoje é Senador por Minas Gerais: Antonio Augusto Junho Anastasia.

 Deputado Mourão e Antonio Augusto Anastasia

Na elaboração do texto constitucional, por inúmeras vezes, tive que contrariar interesses múltiplos. Dos corporativos desejos da indústria leiteira à emancipação de distritos; das intensas articulações dos donos de cartório às benesses para servidores públicos; dos interesses de concessionárias aos das empresas públicas, segui a velha máxima: o que contrariar o texto da Constituição da República, teria parecer contrário a sua aprovação.

Promulgada a Constituição Mineira, passei a ser convidado pelas câmaras municipais para proferir palestra sobre a elaboração das Leis Orgânicas dos municípios mineiros. Percorri nosso Estado de norte a sul, de leste a oeste, levando a mensagem da real necessidade de se obedecer a hierarquia das leis.

Emendas populares são entregues ao presidente e ao relator da Comissão Constituinte. 01-06-1989

Conquistas da Constituição Mineira e ações parlamentares.

Encerrando a 11ª Legislatura, candidatei-me novamente ao cargo de deputado estadual.

Terminada as eleições, conferindo minha trajetória até então realizada, aprendi mais uma lição. Sem pedantismo, sem mencionar esse fato aos eleitores, pensava que pela exposição que consegui durante o exercício de meu mandato na 11ª Legislatura, nas inúmeras viagens que realizei, onde não pedi voto e nem fiz campanha política, mas, principalmente, pela projeção que meu trabalho deu a Governador Valadares, julguei que minha votação em minha maior cidade seria maior do que a anterior. Surpresa. Ledo engano.

 Diploma de Deputado Estadual com 21.579 votos na Eleição de 1990

Aí a amarga lição. O eleitor, em regra, não se preocupa com o que o deputado faz na função legiferante. Fazer leis, função precípua do parlamentar, não é atividade vista como digna de merecer voto. O eleitor gosta é da ação de representação do parlamentar. Uma verba para a construção de um centro social, uma verba para reforma de escola ou creche, uma ponte para uma estrada dá mais voto do que todo o trabalho de legislar. O eleitor gosta de carinho. De se sentir prestigiado. A elaboração de leis e seus resultados são tão distantes para o eleitor que esse trabalho não rende votos.

Conciliar a presença junto ao eleitor, exercendo a função de representação, com o papel de legislador, função para a qual foi eleito, é o grande desafio de quem exerce mandato em casa legislativa.

Ao assumir meu segundo mandato na 12ª Legislatura (1991-1995), mesmo sabendo que o trabalho exigiria de mim muito mais tempo para constantes deslocamentos junto às bases eleitorais e a capital do estado, refiz interiormente meu compromisso: o sentido da política é o ser humano.

No dia seguinte ao da posse do presidente e dos governadores eleitos para o quadriênio, o Presidente lançou o Plano Collor, decretou feriado bancário por três dias, confiscou os recursos da poupança e a Ministra Zélia Cardoso de Melo anunciou a intervenção extrajudicial junto à Caixa Econômica do Estado de Minas Gerais.

A perplexidade tomou conta do Brasil.

O arrocho da política econômica mergulhou o país em uma recessão histórica. O Presidente Collor foi obrigado a rever as medidas e, com a liberação do dinheiro retido nos bancos, a inflação voltou a explodir. A explosão maior, porém, se deu quando após um ano e sete meses da posse, o Presidente Collor sofre o processo de impeachment e Itamar Franco, seu vice, assume a Presidência.

A polarização entre os seguidores de Collor e seus adversários transformou o campo político em uma arena de acusações recíprocas.

Nesse contexto, ocorreram as eleições municipais de 1992, quase sempre polarizadas entre os que apoiaram Collor e os que torceram pelo seu afastamento. Em Governador Valadares foi eleito o deputado Paulo Fernando, pelo PRN, o partido de sustentação do Presidente Collor.

  Diploma Deputado Estadual com 36.881 votos na Eleição de 1994

O terceiro mandato por mim conquistado nas eleições de 1994, para a 13ª Legislatura (1995-1999), representou um divisor de águas para o eleitorado mineiro. Foi simples de se entender essa mudança. Os prefeitos eleitos em 1992 representavam uma esperança de mudança de posicionamento da administração pública. O impeachment do Presidente Collor apresentou à considerável parcela do eleitorado que a moralização da coisa púbica deveria se estender aos municípios.

Essa esperança, porém, foi sendo perdida com o passar do tempo. Assim, nos dois últimos anos de mandato dos eleitos em 1992, o povo percebeu que as escolhas feitas não representaram mudança  no paradigma para a administração pública municipal. Em alguns casos até, eleitos naquele ano se comportavam de maneira deplorável, tratando a administração pública como feudos. Seria necessário experimentar novas mudanças.

Com apenas dois anos de exercício do mandato de deputado, fui convocado para disputar as eleições municipais de 1996.

Novo ensinamento despontou à minha frente: quem está na vida pública não é dono de seu destino. Não basta você querer ou não querer. A decisão sobre os passos de quem está na política é do povo.

   Promulgação da lei de emancipação de 96 municípios em 21-12-1995

   Diploma de Prefeito de G.V. com 49.693 votos na Eleição de 1996

Entro em uma campanha eleitoral completamente diferente e saio dela renovado. Disputei o mandato de 1997 a 2000, a prefeitura de Governador Valadares.

O valadarense alçou-me na condição de seu alcaide para que eu pudesse cumprir com seu desejo: concretizar a esperança de dias melhores e valorizar a autoestima daqueles que escolheram Governador Valadares como o ponto de convergência de seus territórios.

Com três dias de mandato, no dia 04 de janeiro de 1997, o Rio Doce inundou a cidade, deixando cerca de 40 mil desabrigados. Primeiro desafio vencido.

Conclui o mandato de prefeito com uma enorme sensação de dever cumprido. Meu índice de aprovação, publicado em pesquisa nacional da Revista “Isto É” era de 83%.

Orgulhou-me, sobremaneira, perceber que a autoestima do valadarense estava em alta. Os quatro anos de mandato junto ao povo alterou a cara de Governador Valadares.

Mas a vida política não é de quem a exerce. Ela pertence ao povo. Senhor absoluto da história. Disputo a reeleição em 2000. Conquistei um enorme respeito junto ao povo. Mas não conquistei votos suficientes para continuar o trabalho que iniciara em 1997. Perdi para o candidato do PT, João Domingos Fassarella.

Fora do embate político, fui recarregar minhas baterias. Descansar. Curtir minha família com maior disponibilidade de tempo.

Fui chamado, passado algum tempo, pelo Governador Itamar Franco para exercer o cargo de Subsecretário de Assistência Social, onde fui empregar minha experiência em outras regiões do Estado. Período rico em aprendizado. Período rico em reflexões.

Diploma de Deputado Estadual com 62.778 votos na Eleição de 2002

Em 2002, encaro nova campanha para a Assembleia Legislativa. Já estava no PSDB. Tentaria me assentar no Plenário da 15ª Legislatura (2003-2007). Tive a alegria de conquistar mais um mandato e pude participar, muito de perto, do governo que mudou a cara de Minas. O primeiro governo de Aécio Neves.

Participei desse oitavo embate com uma injeção de ânimo muito poderosa e que me tornou eternamente ligado ao povo que desbravou Figueira do Rio Doce. Recebi o título de Cidadão Honorário de Governador Valadares, por decisão unânime de sua Câmara de Vereadores. Fui para a luta com uma armadura inigualável: o reconhecimento dos cidadãos valadarenses que eu merecia ser incluído no rol de seus filhos. A cidadania honorária recebida é o maior dos prêmios que me foram ofertados no transcorrer de minha vida pública em Governador Valadares.

  Assinatura da posse como Deputado

Novamente a história se repete. Meu nome ganha força para a disputa da Prefeitura de Governador Valadares nas eleições de 2004. E lá fui eu enfrentar as urnas contra o Prefeito João Domingos Fassarella. Vitória apertada. Mas retornava às lutas na gestão municipal para continuar a defender meus ideais de que o sentido da política é o ser humano.

  Diploma de Prefeito de G.V. com 66.723 votos na Eleição de 2004

Tomei posse no cargo de Prefeito de Governador Valadares em 2005 e conclui o mandato em 2008. Penso que a cidade não havia tido, ainda, um canteiro de obras como o que se viu nesse período. Houve uma coincidência de fatos que possibilitou essa arrancada no município. Um planejamento meticuloso, onde uma equipe sempre atenta se encontrava a postos para a execução do que fora estabelecido, notadamente pela parceria muito eficaz da Vale.

Esse mandato pautou a vida do valadarense de tal forma que, ainda hoje, andando pelas ruas e em contato com o povo sou chamado para ser agradecido pelo que foi feito nesse período.

Em 2008 encaro novamente a eleição municipal na tentativa de me reeleger como prefeito. A campanha se deu sob um orquestrado conjunto de ações, onde pontificou a maciça distribuição de bolsa família e uma forte distribuição de benesses, promessas de um mundo encantado e sonhos.

Faço parte, e isso é histórico e publicamente conhecido, do grupo que entende a política como um processo, por isso mesmo contínuo, de permanente vigilância sobre o respeito aos direitos e garantias individuais. Para isso, o poder deve ser exercido no estrito cumprimento da lei. Fora da lei, não há salvação.

Esse rigor na aplicação da lei não se trata de um fundamentalismo doentio. É, antes de tudo, um modelo de gestão que privilegia a figura, o papel, o espaço e a igualdade dos direitos das senhoras e dos senhores da história: mulheres e homens que são protegidos da sanha absurda de se pretender uma igualdade sob o medo, sob a pressão, sob a falácia de discursos populistas. Por isso, sob o domínio da norma legal, a administração pública se mostra como a defensora do povo e indutora do desenvolvimento social.

Aprendi com minhas duas derrotas eleitorais na disputa do cargo de prefeito, que elas foram concretizadas pela opção dos eleitores em experimentar modelo de gestão que privilegie o poder como fonte indutora de desenvolvimento. É uma experiência sempre dolorosa para o povo.

Essa, pois, a grande diferença de minha ação administrativa da ação administrativa do partido que me derrotou por duas vezes. Enquanto entendo e busco a ação administrativa em prol do bem comum – e isso é a norma republicana de agir –, meus adversários buscam a conquista do poder e a perpetuação nele e por ele com vistas a implantar um conceito ideológico de bem comum. Não há república que resista a isso.

Disputei onze eleições. Perdi duas. Ganhei nove. Considero-me um vitorioso. Principalmente porque posso olhar nos olhos de minha mulher, meus filhos, netos, amigos e de todos os que escolheram meu nome dentre tantos outros e dizer-lhes, tal como o apóstolo Paulo: “Combati o bom combate. Guardei a minha fé”.

E por guardá-la com tanto esmero, é que continuo na luta de buscar uma sociedade mais justa, fraterna e igualitária. E assim, pela segunda vez, fui cuidar de minha vida pessoal e da distribuição do afeto familiar para novos embates.

Em meu período sabático, o Governador Aécio Neves convoca-me a Belo Horizonte e pede que eu assuma a Subsecretaria de Transportes e Obras Públicas. E lá fui eu, armado de fé, contribuir de forma estratégica na administração estadual que mudou a cara de Minas.

Daí fui para meu décimo embate: as eleições estaduais de 2010. Conquistei mais um mandato de deputado estadual e tomei posse na 17ª Legislatura (2011-2015), onde assumi a liderança do Bloco Parlamentar de apoio ao Governador Anastasia. E, mais uma vez, vejo-me sempre na condição de agradecer a Deus haver permitido que eu fizesse parte de um governo que dignificou a história de Minas e resgatou para ela o respeito de todos os brasileiros.

Da Liderança do Bloco de Sustentação Parlamentar fui alçado à Liderança do Governo na Assembleia. Nesse cargo, tive a oportunidade de conhecer mais de perto ainda a realidade transformadora que o Governador Anastasia e seu sucessor, Governador Alberto Pinto Coelho implantaram no Estado. Mais. Tive a oportunidade de participar dessa transformação.

 

Diploma de Deputado Estadual com
68.323 votos na Eleição de 2010
Posse na 17ª Legislatura
de 2011-2014
Governador Anastasia e seu líder de
governo na ALMG, Deputado Mourão

  Diplomado Deputado Estadual, eleito com 85.401 votos em 2014

O povo mineiro nas eleições de 2014 reconduziu-me ao Plenário 18ª Legislatura (2015-2019), levou o Governador Anastasia ao Senado da República e quis experimentar uma nova forma de governar, ao entregar o Governo do Estado ao PT do Governador Fernando Pimentel.

A corrupção passou a ser melhor apurada com a “Lava Jato” e muitos culpados, mesmos os mais graúdos, “punidos”. A sociedade acompanha e aplaude.

Nesses quase três anos de mandato sob a égide petista, já é possível se vislumbrar o desencanto que tomou conta do Estado. Minas deixou de ser referência nacional na política, sua economia anda a passos de tartaruga, o Poder Executivo a cada dia mais inchado e a máquina pública apresenta nítidos sinais de uma deterioração crescente.

Na Assembleia, o Bloco Verdade e Transparência, que faz oposição ao Governo Estadual, com apenas 22 deputados, tem enfrentado com galhardia e muita coragem os outros 55 deputados da base de sustentação do governo.

2018 poderá ser o ano de grandes mudanças. As eleições serão o momento crucial para que o Estado retome o caminho da normalidade jurídica, do planejamento econômico-financeiro fincado nas bandeiras do desenvolvimento sustentável e na defesa do bem comum. Será o momento para que possamos, juntos, reencontrar nossa autoestima, desonrada que foi pela prática perversa de um governo que busca somente o poder. De um governo que só olha para o serviço público como se ele fosse privado. Como se ele fosse seu.

De minha parte estarei, mercê de Deus, com os olhos voltados para a esperança de dias melhores.

Continuo a ver em mim o mesmo espírito de conquistar novos mundos que se foi solidificando na minha alma.

Para isso, com a mesma disposição, continuarei minha luta pela implantação de uma sociedade justa. De uma sociedade onde, de fato, possamos vivenciar que o sentido da política é o ser humano.